Não há nada mais característico do tempo em que vivemos do
que a mania de julgar.É o que fazemos dia e noite. Claro que há um lado
positivo nessa faculdade, inclusive Kant, o grande filósofo iluminista, dedicou
um bom número de páginas para o tema. Julgamos se um filme é bom ou não. Assim
exercemos nosso espírito critico o que é fundamental para desafiar as ideias
prontas que muita gente compartilha sem muita reflexão.
O julgamento nos
permite entender melhor o sentido das coisas. Mas há outro tipo de julgamento
que é, acredito eu, menos producente. Talvez nesse caso seja melhor falar em um
prejulgamento, pois diz respeito a um pensamento automático que nem sempre
passa pelo crivo de uma boa reflexão. É
o prejulgamento que utilizamos para criticar uma pessoa que usa uma
roupa supostamente pouco adequada a seu corpo ou sua idade ou para desmerecer o
gosto dos outros. Mas quem decide o que pode ou não? Nestes tempos curiosos em
que as pessoas aparecem o tempo todo felizes, amando e viajando nas fotos das
redes sócias, é cada vez mais difícil enxergar as mudanças da vida. Sim porque
somos diferentes. Porque somos ruins, porque nem sempre ganhamos. E aí o
prejulgamento se volta contra nós mesmos. No fundo, seriamos mais felizes se
nos importássemos menos com os regramentos comezinhos da vida que mesmo sem ter
a intenção, ajudamos a perseverar.
Por Fábio P.

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