segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Saúde mental

Fui convidado por uma empresa a dar uma palestra sobre saúde mental. Aceitei sem pensar muito. Sou psicanalista e devo saber o que é saúde mental. Quando a data se aproximava, pus-me a pensar e descobri que eu não sabia o que era saúde mental. Para uma empresa, quando é  que um funcionário tem saúde mental? Ele tem saúde mental quando os seus pensamentos e emoções não interferem no seu desempenho na empresa: não falta, produz, tem boas relações. A empresa usa para avaliar o seu funcionário os mesmo critérios de avaliação da "saúde de uma peça de uma máquina. 



Peça boa é aquela que não exige reparos e funciona sempre. Para que isso aconteça é preciso que a peça esteja totalmente ajustada à "ideia" da máquina. Assim, um funcionário com saúde mental é aquele cuja alma está ajustada á alma da empresa. Ajustamento produz contentamento. Aí comecei a pensar nos homens que tenho no meu coração. Foram todos desajustados e infelizes. Van Gogh, Water Benjamin e Maiokóvski cometeram suicídio. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. 


Então, as pessoas que amo não tinham saúde mental. Não eram ajustadas. Então, por que as amo? Pelas coisas que elas produziram. As pessoas ajustadas são indispensáveis para fazer as máquinas funcionar. Mas só as desajustadas pensam outros mundos. A criatividade vem do desajustamento. Imagine que nossa sociedade é louca. As evidências dizem que sim. Estar ajustado a essa sociedade é estar ajustado à sua loucura. Então, há um tipo de "saúde mental" que são lúcidos, que percebem a loucura da sociedade e sofrem com ela, desajustados, são os que verdadeiramente têm saúde mental. 

Rubem Alves

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Quem é você depois das tempestades da vida?

 “Ostra feliz não faz pérola” 

 Rubem Alves 

Nas palavras do próprio autor, o título refere-se a: “A ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Sofrendo, a ostra diz para se mesma: preciso envolver essa areia pontuada que me machuca com uma esfera lisa que lhe tire pontas outras felizes não fazem pérolas. Pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída. Por vezes a dor aparece como aquela coisa que tem o nome de curiosidade. 





E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor. O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava seu canto triste, o seu corpo fazia o trabalho – por causa da dor que o grão de areia lhe causava. Um dia, passou por ali um pescador com o seu barco. Lançou a rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada.

O pescador se alegrou, levou-as para casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro de uma ostra. Ele o tomou nos dedos e sorriu de felicidade: era uma pérola, uma linda pérola.

Lição dada, a partir daí o autor trata de vários assuntos a partir da mesma temática: somos ostras que produzem pérolas. 

“Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos. 
Só veem as belezas do mundo, aqueles que têm belezas dentro de si”.

( Rubem Alves)


sábado, 25 de julho de 2020

OBRIGADO AOS MEUS DIAS RUINS


Se mordomia fosse mais importante pra mim do que liberdade, teria morado na casa dos meus pais até casar. Se depois de 17 anos de casados eu e meu marido não tivéssemos reavaliado nossa escolha e nos separado, não teríamos vivido outras importantes relações amorosas. Se depois de uma década trabalhando em agências de propaganda eu não tivesse perdido o entusiasmo pela publicidade, não teria me arriscado a escrever para jornais. Se depois de duas décadas escrevendo para jornais eu não tivesse sentido o tédio batendo à porta, não teria arriscado ter um canal no YouTube e escrever um roteiro de cinema. 

Que sorte eu não ter sido feliz pra sempre.
Tenho muito a agradecer aos meus dias ruins. Foram os choros silenciosos, abraçada ao travesseiro, que me colocaram contra a parede: “por que você está se submetendo a essa dor?”. Ter ido atrás da resposta me fez movimentar a vida e trocar de planos.




Quando meu coração esteve apertado, não agendei exames cardíacos: recorri à poesia. Se compus alguns versos bem escritos, devo às angústias das paixões mal concluídas.
Cada vez que fui rejeitada, desenvolvi a humildade e reforcei meu lado bom.
Ando serena há bastante tempo, desde que aprendi que a felicidade instagramável é uma busca utópica e meio babaca: como ser feliz num país em desconstrução e com uma desigualdade indecente entre seus habitantes? Como ser feliz, se além do país à deriva, ainda temos que nos acostumar agora com novas regras de conduta social? E, saindo do geral para o pessoal: insônias, dívidas, desilusões, discussões: como?

O único jeito que conheço: desenvolvendo desde cedo o que se chama hoje de inteligência emocional, um guarda-chuva de múltiplos significados, mas que pra mim se resume a usar a finitude a nosso favor. Vamos morrer – não agora, não de covid-19 (sou otimista), mas um dia, aquele dia que otimismo nenhum adia. Então qual o sentido de obstruir ainda mais a vida? As pessoas fazem drama por bobagem, são competitivas, se acham melhores do que são, executam tarefas de forma relaxada, não assumem seus erros, não cuidam de seus afetos e reclamam, reclamam, reclamam. A cada manhã recebem o novo dia com pedras na mão.

Tenho também meus momentos em preto e branco, mas não desapareço de mim. Se for uma incomodação pontual, leio um livro, vou dar uma caminhada, espero o dia terminar. Se for mais grave, tento terapia, converso com amigos, faço mapa astral, ritual xamânico, troco os móveis de lugar, troco os pensamentos de lugar. Me desacomodo. Uso a instabilidade para inaugurar uma estabilidade nova em folha, outra versão da mesma vida. O meu “pra sempre” nunca foi feito de linhas retas nem de velocidade constante, e é por isso que minha sorte tem durado um bocado.


Por Martha Medeiros

Rouxinol


Eu nunca chamo seu nome, 
mas você está em mim como a música na garganta do rouxinol,
 mesmo quando não está cantando.

 Dulce Maria Loynaz


Cores sobre você


Se eu fosse pintar você, usaria todas as cores. 

Jordan Prestes

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Naya Rivera


Tu sabes que és fantástico quando percebes que pessoas que não conheces te odeiam.

♥


quarta-feira, 8 de julho de 2020

Seja qual for o seu sonho, não é tarde para alcançá-lo

Aos 23 anos, Tina Fey estava trabalhando na YMCA.

Aos 23 anos, Oprah foi demitida de seu primeiro emprego como jornalista. 

Aos 24 anos, Stephen King trabalhava como zelador e morava em um trailer. 

Aos 27 anos, Vincent Van Gogh falhou como missionário e decidiu ir para a escola de arte.  

Aos 28 anos, JK Rowling era uma mãe solteira suicida vivendo de assistência social.

Aos 28 anos, Wayne Coyne (de The Flaming Lips) era um cozinheiro de batata frita.

Aos 30 anos, Harrison Ford era carpinteiro. 

Aos 30 anos, Martha Stewart era corretora. 

Aos 37 anos, Ang Lee era um pai que fica em casa trabalhando em empregos estranhos.

Julia Child lançou seu primeiro livro de culinária aos 39 anos e conseguiu seu próprio programa de culinária aos 51 anos.

Vera Wang não conseguiu formar a equipe olímpica de patinação artística, não conseguiu a posição de editora chefe da Vogue e desenhou seu primeiro vestido aos 40 anos.

Stan Lee não lançou seu primeiro grande gibi até os 40 anos.

Alan Rickman desistiu de sua carreira de designer gráfico e conseguiu seu primeiro papel no cinema aos 42 anos.

Samuel L. Jackson não conseguiu seu primeiro grande filme papel até os 46 anos.

Morgan Freeman conseguiu seu primeiro papel importante aos 52 anos.

Kathryn Bigelow ganhou o Oscar de Melhor Diretora quando fez The Hurt Locker aos 57 anos.

Vovó Moses não começou sua carreira de pintora antes dos 76 anos.

Louise Bourgeois não se tornou uma artista famosa até os 78 anos.

Seja qual for o seu sonho, não é tarde para alcançá-lo. Você não é um fracasso porque não encontra fama e fortuna aos 21 anos.  Tudo bem se você nem sabe qual é o seu sonho ainda. Mesmo se você estiver jogando hambúrgueres, esperando mesas ou atendendo telefones hoje, nunca sabe onde vai acabar amanhã.

Nunca diga a si mesmo que você é velho demais para fazê-lo. 

Nunca diga a si mesmo que perdeu sua chance. 

Nunca diga a si mesmo que você não é bom o suficiente. 

Você consegue. O que quer que seja. 

Por Jordan Prestes 




sexta-feira, 1 de maio de 2020

Bem vindo mês nº 5


Você pode fazer muitas coisas com o tempo. Você pode matá-lo, gastá-lo, perdê-lo, doá-lo, desperdiçá-lo, deixá-lo curá-lo, ficar sem ele e, às vezes, você pode recuperar o tempo, com uma segunda chance. Mas você nunca pode repetir um período de tempo, não exatamente o mesmo. O presente tem uma maneira de dar ao passado um toque de nostalgia com gotas de clareza, às vezes essas gotas são amargas e outras, doces.

Além disso, ao olhar para o passado, você encontra um respingo ocasional de vergonha, graças à crueldade da memória, surgindo quando menos se espera. A memória é a amante de dois gumes do tempo. Eles nem sempre ficam juntos; às vezes somos gratos quando uma memória surge e outras vezes somos aliviados quando deixamos de lado uma. 

O presente é tudo o que temos, mas deixamos o passado nos arrastar de volta e perseguimos incessantemente o futuro. Ah o futuro, quando chegamos lá, queremos algo totalmente diferente, mesmo que estejamos satisfeitos com o resultado anterior que desejávamos. Sempre há algo novo fora de alcance. Só o tempo dirá onde vamos terminar. Mas há apenas um final. Portanto, nunca devemos deixar o passado nos impedir, o presente nos decepcionar ou o futuro nos assustar.


Bem vindo mês nº 5


Jordan Prestes



terça-feira, 28 de abril de 2020

Keep calm e não vire um reaça

Aquele carrancudo que entrou e saiu do elevador sem dar bom dia não tem nada contra você, o problema é que ele, além de não ter o hábito de ser cortês, descobriu ontem à noite que a mulher com quem casou há dois anos tem um amante. O apressadinho que está buzinando de forma alucinada atrás do seu carro não tem nada contra você. Além de ser naturalmente mal educado, ele dormiu apenas três horas esta noite e não tomou café da manhã, o que não colaborou para melhorar seu precário humor. 




A mulher que postou na sua página do Face uma ofensa despropositada porque discorda das suas ideias não está com raiva de você, ela nem entendeu direito o que você quis dizer, aliás, ela nem sabe quem você é. A coitada não se conforma de nunca ter passado num concurso público e esse frustração transformou a mulher num azedume ambulante. O cara que furou a fila não está competindo com você, ele já perdeu pra si mesmo faz tempo. O chato que conta piadinhas machistas não está querendo provocar você, é que o infeliz não pega ninguém. O colega que questiona tudo que você faz não está querendo importunar você, óbvio que o sujeito tem baixa autoestima. Aquele olhar atravessado que a passageira do ônibus deu pra sua roupa não é uma crítica a você, ela é que não tem coragem de se expressar com mais criatividade. 

Somos todos inocentes das neuras, traumas, complexos e distúrbios alheios. Se a pessoa surta, se a pessoa faz estardalhaço, se a pessoa briga por qualquer coisa, não é contra você nem contra mim, a encrenca é com ela mesma. Taí uma fórmula precária, porém bem intencionada, de colaborar com a paz no mundo: não dê trela. Mantenha a calma e reserve toda sua indignação para quem está realmente atrapalhando sua vida com total consciência disso. 


Política, sim, é sobre você, sobre mim, sobre nós todos, não tem atenuante. É com essa corja que temos que nos entender – ou nos desentender. Mas com inteligência. Não caia na conversa de qualquer oportunista que surgir com um discurso preconceituoso e radical, tipo um Trump tupiniquim, destes que prometem colocar ordem na casa, mas que não passam de ignorantes que só aprofundam o atraso da nação. Você não precisa decidir agora em quem votará para presidente. Cuide para não ser reacionário, porque a tentação é grande. O país está nervoso e a tendência é confundir ditadura e conservadorismo com salvação. Não dê aval para este brutal retrocesso. Não acredite em mitos, em frases de efeito, em extremismos. Aguarde até saber quem serão os candidatos, qual o comprometimento de cada um deles, seu passado, seu currículo, suas propostas de desenvolvimento econômico e inclusão social, e aí sim, pense, pondere e dê o troco com sanidade – não com desespero.


Por Martha Medeiros

quarta-feira, 22 de abril de 2020

7 coisas que aprendemos sobre a Terra desde o último Dia da Terra




Celebramos o 50º aniversário do Dia da Terra em 22 de abril em meio a uma pandemia, com o mundo desacelerado e atrapalhado pelo Covid-19 . No entanto, o Dia da Terra nos lembra que o planeta ainda gira, as crises globais de clima e biodiversidade ainda pedem atenção, e a natureza ainda revela sua resiliência cintilante.

Neste Dia da Terra , quando os humanos se retiraram para dentro de casa para diminuir a propagação do vírus, estamos descobrindo como os ecossistemas respondem à nossa ausência de espaços públicos. Enquanto isso, nosso planeta e nosso entendimento continuam mudando em um ritmo frenético. As temperaturas médias estão subindo, os sistemas naturais estão se degradando e nossa vulnerabilidade está aumentando.


Mesmo que muitos de nós permaneçam trancados lá dentro, ainda existe um grande mundo lá fora, com muito para explorar e descobrir. 

1) Vivemos com muita poluição do ar, mas podemos reduzi-la rapidamente


Às vezes você não percebe algo até que ele se foi. Essa é uma lição visual gritante da pandemia: a poluição do ar é algo que muitas pessoas ao redor do mundo respiram todos os dias.As paralisações de negócios e viagens durante a pandemia de Covid-19 limparam o ar nas cidades, pois a poluição caiu drasticamente. A China, por exemplo, sofreu um declínio de 40% no dióxido de nitrogênio, um poluente produzido pela queima de combustíveis fósseis em carros e usinas de energia, no início deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado.




A poluição do ar é uma ameaça mortal , matando milhões em todo o mundo a cada ano. Também está associado a resultados mais graves para o Covid-19 . Por outro lado, a desaceleração econômica decorrente do Covid-19 mostrou que a redução da poluição produz enormes benefícios para a saúde pública. Um pesquisador estimou que a queda na poluição do ar na China salvou 20 vezes mais vidas que foram perdidas pelo vírus.

E a China não é o único lugar que vê céus mais claros. No Reino Unido , a poluição por dióxido de nitrogênio caiu 60% depois que o país implementou um bloqueio em relação ao ano anterior. Um bloqueio nacional na Índia revelou os céus e as montanhas que foram obscurecidas por décadas.

A pandemia de Covid-19 mostrou a rapidez com que a qualidade do ar pode melhorar. Mas isso não significa que devemos celebrar a pandemia por seu impacto no meio ambiente. O céu mais limpo teve um custo social e econômico devastador. O desafio para os países é reduzir a poluição sem grandes prejuízos.

Países como China e Estados Unidos estão enfraquecendo as regulamentações ambientais na esperança de ajudar as indústrias a se recuperarem melhor da desaceleração, para que a poluição possa voltar com força total. Mas vale a pena perguntar por que toleramos tanto ar sujo pelo bem da economia por tanto tempo e se existe uma maneira melhor.

2) O vírus que causa o Covid-19 quase certamente se originou em morcegos. Muitos vírus pandêmicos em potencial estão por aí, à espreita.


Embora ainda não sabemos exatamente quando ou onde o novo coronavírus, o SARS-CoV-2, transbordou da vida selvagem para o ser humano, os cientistas que analisaram seu genoma dizem que ele parece ter se originado em morcegos selvagens .

Não devemos nos surpreender que os humanos tenham sido infectados com um patógeno perigoso que circulava na vida selvagem; com mais e mais pessoas invadindo áreas selvagens, a ameaça de um evento como esse ficou clara. Os cientistas que estudam doenças infecciosas emergentes alertam sobre esse cenário há anos. O surto de SARS de 2003 (que também passou de animais para humanos) deveria ter sido um alerta. No entanto, a grande lição da SARS-CoV-2, que infectou mais de 2,5 milhões de pessoas e matou mais de 176.000 em 21 de abril, é que nossos esforços para interromper esses vírus antes que eles comecem a invadir populações humanas foram terrivelmente insuficientes.



"Todas as doenças emergentes com as quais combatemos preexistem na vida selvagem", diz Dennis Carroll, ex-diretor da divisão de ameaças emergentes da USAID que ajudou a projetar o Predict, um programa de vigilância de vírus de animais perigosos que o governo Trump decidiu encerrar em outubro. Se não estivermos procurando vírus em estado selvagem, ele acrescenta, e se continuarmos pressionando os ecossistemas, é provável que sejamos atingidos por outra crise como esta.

As pandemias, diz Carroll, não precisam acontecer. “Eles são uma consequência da maneira como vivemos. Você pode pegar [vírus] mais cedo se realmente incluir na sua vigilância aqueles lugares onde animais e pessoas estão tendo interação de alto risco, esses pontos quentes. ” A maioria desses pontos quentes está no leste e sudeste da Ásia, mas a comunidade internacional pode intensificar a colaboração para monitorá-los. Como esta crise do Covid-19 provou, os vírus contagiosos podem se espalhar rapidamente pelo mundo com a ajuda de seres humanos cada vez mais conectados, móveis e urbanos . Como eles podem se tornar rapidamente o problema de todos os países, é do interesse de todos os países impedi-los.

3) A vida continua desaparecendo em um ritmo e escala impressionantes

Desde o último Dia da Terra, vimos ainda mais evidências de que a grande diversidade de vidas na Terra está diminuindo. Todo ano, dizemos adeus a várias espécies para sempre, e no ano passado não foi diferente.


Estamos perdendo a vida em uma escala maior do que imaginávamos. Por exemplo, mais de um quarto de todas as aves desapareceu dos Estados Unidos desde 1970, uma perda de quase 3 bilhões de animais. Na última década, 467 espécies foram declaradas extintas.

E não é apenas o número de espécies perdidas que é tão alarmante; a perda de biodiversidade desde que os seres humanos começaram a andar na Terra há 200.000 anos é vasta. Para substituir apenas as espécies de mamíferos perdidas naquele tempo, os pesquisadores estimaram no ano passado que seriam necessários entre 3 e 7 milhões de anos de evolução para restaurar esse tipo de variedade.


4) Continuamos descobrindo novas espécies e aprendendo novos fatos sobre as antigas

A biodiversidade pode estar se contraindo, mas nossa compreensão não é. A maioria das espécies de plantas e animais ainda não foi descoberta . E a cada ano, aprendemos mais.

Desde o último Dia da Terra, os cientistas descobriram que existem três espécies de enguia elétrica - nos últimos 250 anos, os pesquisadores pensaram que havia apenas uma . (As enguias têm sido difíceis de estudar porque, bem, são surpreendentemente difíceis de manusear. O Ed Yong do Atlântico descreve tocar em alguém como se fosse atingido por um taser.)

Uma única instituição científica - a Academia de Ciências da Califórnia - adicionou 71 novas espécies de plantas e animais descobertas em cinco continentes e três oceanos ao recorde no ano passado. Entre eles estavam um peixe roxo iridescente chamado cirrhilabrus wakanda, em homenagem ao reino fictício de Wakanda (dos quadrinhos e filmes da Marvel Pantera Negra), 15 espécies de lagartixas e seis lesmas do mar.





Enquanto isso, os cientistas descobriram que 10 variedades de maçã que se acreditava extintas ainda existiam em campos e ravinas rurais no estado de Idaho e Washington, informou Smithsonian. E recentemente, pela primeira vez na história, cientistas evolucionistas documentaram como as flores tentam se salvar após serem derrubadas. Após um insulto, as flores individuais no caule girarão para trás, da melhor maneira possível, para uma posição ideal para a polinização.

Essas descobertas são um lembrete de que existem muitas outras descobertas aguardando para serem encontradas. Até mesmo descobertas de vida que já se foram há muito: no ano passado, também houve um novo estudo cavando o núcleo da cratera do asteróide que matou os dinossauros há 66 milhões de anos. Hoje, a Terra é agradável em comparação com o cataclismo de tsunamis, incêndios florestais e terra derretida que se seguiu à catástrofe.

5) Na Austrália, o clima volátil e as mudanças climáticas convergiram para alimentar incêndios florestais maciços

Os ferozes incêndios florestais na Austrália no final de 2019 e no início de 2020 ilustraram o que acontece com um clima já volátil, à medida que as temperaturas médias aumentam e oferecem uma janela para o futuro para o resto do planeta.

As chamas começaram em 2019, já o ano mais quente e seco da Austrália, e queimaram mais de 27 milhões de acres, destruíram mais de 3.000 casas, mataram pelo menos 29 pessoas e enviaram fumaça para todo o mundo. Os incêndios também mataram mais de um bilhão de animais em alguns dos ecossistemas mais únicos e frágeis do planeta.

O clima volátil é uma assinatura do clima da Austrália. O continente fica no meio de três grandes sistemas de circulação oceânica, por isso geralmente oscila entre extremos. Em 2019, esses padrões de circulação alinhados de forma a afastar a umidade e prender o calor.



Mas mudanças a longo prazo também estão em andamento. Os incêndios surgiram após anos de seca, deixando a vegetação pronta para queimar. E o clima da Austrália aqueceu pouco mais de 1 grau Celsius desde 1910, um pouco mais rápido que a média global. Os padrões de chuva também mudaram, com mais no norte e menos no sudeste, onde a maioria dos australianos vive.

Assim, a variabilidade natural, além das mudanças climáticas, criou as condições para os incêndios devastadores da Austrália, com tendências que estavam se construindo há décadas, de repente causando estragos ao longo de semanas. A temporada de incêndios na Austrália também está ficando mais longa e mais perigosa.

Embora outros países possam não enfrentar regularmente o clima temperamental da Austrália, fariam bem em atender a esses riscos à medida que as temperaturas continuam a subir. “Particularmente no sul da Austrália, ele meio que mapeia de forma relativamente semelhante sobre outras áreas nas latitudes médias, o que consideraríamos a zona do Mediterrâneo . Portanto, é o próprio Mediterrâneo, como Espanha, Itália e Grécia, mas também Califórnia, a ponta da África do Sul, e Chile e Argentina ”, disse Mark Howden, diretor do Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade Nacional Australiana. . "Então, todas essas latitudes semelhantes à da Austrália, estão ficando mais secas, mais quentes, tendo mais problemas em termos de água, em termos de agricultura".

6) Os satélites estão começando a obscurecer nossa visão do céu noturno

Somente no ano passado, a empresa de voos espaciais SpaceX lançou mais de 360 ​​pequenos satélites em órbita próxima à Terra, com o objetivo de usar essas espaçonaves para criar um serviço mundial de acesso à Internet. Eles estão apenas começando. Ao todo, a empresa tem aprovação da Federal Communications Commission para lançar 12.000 satélites, e Musk está buscando aprovação para lançar mais 30.000 .

O problema é que esses satélites são brilhantes e já estão interferindo nas observações dos astrônomos. Muitos cientistas temem que estamos começando a perder uma janela vital para os céus e um senso de nossa conexão com o cosmos maior.


O problema é maior que o SpaceX; não há proteções internacionais para proibir objetos brilhantes em órbita. Mesmo que uma empresa americana como a SpaceX consiga escurecer seus satélites (nos quais a empresa diz estar trabalhando), outra empresa em outro país não precisa. (E, embora o SpaceX trabalhe no escurecimento de seus satélites, ele continua enviando os brilhantes em lançamentos agendados regularmente.)

Os astrônomos temem que isso seja apenas o começo. Em breve, a Terra poderá ser coberta por dezenas de milhares de satélites - muitos dos quais podem ser visíveis sem um telescópio - e superará em muito as 9.000 estrelas que são visíveis a um olho humano. Esses satélites levarão as telecomunicações a algumas das partes mais remotas do mundo, mas possivelmente com um grande custo para a ciência e nossa visão do espaço.

7) As árvores são super-heróis, e o mundo está começando a reconhecê-lo

Para ajudar os cidadãos a lidar com o isolamento durante a pandemia de Covid-19, o serviço florestal da Islândia incentivou as pessoas a abraçar árvores em vez de outras pessoas.

Mas as árvores fazem mais do que nos fazer companhia; eles são um baluarte importante contra as mudanças climáticas , resfriando o ar ao seu redor, capturando e armazenando carbono, apoiando outras espécies e ciclando a umidade.

Proteger e restaurar florestas, então, é crucial para o planeta. Uma equipe de pesquisa no ano passado descobriu que ajudar as florestas a se recuperar e se regenerar poderia absorver uma grande parte de todas as emissões de gases de efeito estufa que a humanidade já produziu. Outros pesquisadores eram céticos em relação à escala desses cálculos, mas concordaram que soluções baseadas na natureza, como a proteção de florestas, são críticas para combater as mudanças climáticas.


No entanto, o mundo também teve uma visão chocante no ano passado de quão vulnerável até as florestas mais poderosas podem ser. A floresta amazônica, a maior floresta tropical do mundo, sofreu sua maior taxa de declínio em mais de uma década em 2019, impulsionada pela extração de madeira, mineração e agricultura .

Houve também um grande aumento no número de incêndios na Amazônia. Com tanta chuva, a floresta amazônica não sofre incêndios, então os pesquisadores disseram que as chamas foram deliberadamente acesas para limpar a floresta, estimuladas pela aprovação tácita do governo do Brasil. O medo agora é que a floresta esteja se aproximando de um ciclo de autodestruição conhecido como recaída .

Os incêndios na Amazônia ajudaram a galvanizar a atenção internacional para a proteção das florestas. E uma coisa que ficou clara desde o último Dia da Terra é que as pessoas realmente gostam de plantar árvores.

O Fundo Verde para o Clima das Nações Unidas levantou quase US $ 10 bilhões de doadores em novembro passado para financiar projetos, incluindo restauração florestal em países em desenvolvimento. Os filantropos do Fórum Econômico Mundial anunciaram seu apoio à Iniciativa Trilhão de Árvores , com o objetivo de plantar dezenas de árvores em todo o mundo. Até o presidente Trump, que desdenhava agir para limitar as mudanças climáticas, elogiou seu apoio ao programa durante seu discurso sobre o estado da União este ano.

Por Vox














sexta-feira, 17 de abril de 2020

Para minha única irma

Estou com uma saudade acumulada das nossas rodas de violão. De você pedindo que música eu quero ouvir . De você me levando na Laura para ver o Enzo. De você pedindo para deixar minhas meias coloridas com você ou emprestar as minhas camisetas que você diz ser Cool. De você me convidando para comer o Sushi gigante, na cidade pequena. 




Comer o hambúrguer com nome de carro. 
( Acho que já vi este filme antes ). De você pedindo pra mim, não questionar como é feito o pão do Menu. Estou com uma saudade gigantesca de ver você se maquiando, naquele espelho minúsculo do meu quarto , que curiosamente, agora é seu. Estou com saudades das voltas propositais de carro só para passarmos na frente do Frei, e rirmos das memórias insanas. Saudade da torta de limão da Vovó Chica. Estou com saudades de tantas coisas Tuca ! 

( Nesta parte eu chorei ). 
Esse mês era para ser diferente. Férias diferentes. Encontros diferentes. Mas o que nos abraçou, foi um novo normal. Um novo jeito. Uma nova saudade, que continua acumulada, que continua com medo e cheia de inseguranças. Tudo vai passar. Espero !

Para minha minha única irma .

Anarjana !

Por Jordan Prestes 

quarta-feira, 15 de abril de 2020

A Casa


A Casa (Hogar, no original) é um filme espanhol de suspense, escrito e dirigido pelos irmãos David e Àlex Pastor.

Lançada em março de 2020 na Netflix, a produção espanhola tem atingido um grande sucesso internacional e sido comparada ao filme de terror O Poço, disponível na mesma plataforma, que se tornou imediatamente viral.

Pela temática, o longa também aparenta ter referências bastante atuais e presentes no nosso imaginário coletivo. Um exemplo é o filme Coringa, pelo seu retrato brutal de um homem enlouquecido.

Outro é o sul-coreano Parasita, o longa-metragem angustiante e genial que venceu o Oscar de Melhor Filme e conquistou fãs pelo mundo inteiro.

Sinopse e trailer do filme A Casa

Javier Muñoz é um homem que perdeu o emprego e é forçado a mudar de casa, por não ter mais dinheiro para pagar o aluguel.

Enquanto a sua vida financeira e familiar começa a entrar em derrocada, ele desenvolve uma obsessão pelos novos moradores do local e o seu comportamento vai se tornando cada vez mais perigoso.

Final do filme A Casa: explicação e significado

As cenas finais do filme parecem estabelecer um paralelo com as iniciais: trata-se de um retrato estereotipado e comercial da harmonia familiar. Javier vive em uma nova mansão com Lara e Mônica, a criança, e olha pela janela, como fazia na casa antiga.
Até ali, tudo indica que o assassino conseguiu o seu final feliz, roubando a vida de Tomás para se sentir realizado. No entanto, os últimos segundos do filme fazem o espectador questionar tudo por causa de um pequeno detalhe: a torneira da cozinha pingando.






Em um cenário idílico, perfeito, existe algo de errado, que está perturbando a paz. Aquele barulhinho, constante e repetitivo, também estava presente no antigo apartamento suburbano. A imagem, retomada no final, parece ser uma metáfora para o estado mental de Javier que continua piorando aos poucos.

Depois de ter destruído Tomás, e mesmo tendo conseguido tudo o que queria, Javier continua sendo o mesmo homem. Assim, podemos supor que o tempo e a rotina poderão causar novos surtos de violência no protagonista que demonstra sinais de psicopatia.

Análise do filme A Casa: temas principais
O nascimento de um stalker perigoso

A Casa segue uma fórmula já conhecida pelos amantes de thrillers: o filme segue a história de um stalker. A narrativa é contada a partir do ponto de vista de Javier, alguém que enlouquece e começa a perseguir um desconhecido.




O começo do longa-metragem nos apresenta um homem de meia idade que está entrando em uma crise generalizada. Sem emprego, sem dinheiro e distanciado emocionalmente da família, a sua saúde mental vai piorando visivelmente.

Totalmente deprimido, o antigo publicitário passa os dias no novo apartamento suburbano, vendo comerciais na TV e escutando a goteira da cozinha. Aos poucos, o isolamento e a rotina destrutiva vão tomando conta do homem, que se convence que tem que ter sucesso a qualquer preço.

É a partir desta fórmula de raiva, inveja e frustração que Javier passa de pai de família a assassino sem escrúpulos.

A casa como um símbolo de status

A verdade é que Javier se recusa a aceitar que a sua vida não é mais a mesma e que perdeu a posição confortável de antes. Para ele, a casa luxuosa que habitava era um símbolo de poder, de status, o sinal de que era um vencedor.

Como se fizesse parte da sua própria identidade, o homem não consegue se separar do local, depois de ter perdido tudo. O filho também fica zangado por ter que sair de lá e revela que seus companheiros de escola fazem piadas com a situação do pai.


Mara, a esposa, consegue dar a volta por cima rápido, afirmando que são apenas "quatro paredes". Instalada no apartamento menor, ela arruma um emprego e tenta motivar o marido. Javier, no entanto, não aceita a sua condição atual:

Não é se adaptar, é se render...



Na tentativa desesperada de recuperar tudo que perdeu, o protagonista encontra uma forma de continuar frequentando a antiga casa. No início, ele apenas age como se ainda morasse no local, alimentando a ilusão de que nada mudou.

Javier e Tomás: perseguição e inveja doentia

Aos poucos, a obsessão de Javier pela casa se volta para os habitantes, principalmente o pai da família, Tomás. De alguma forma, ele parece representar o seu passado, ou até uma visão idealizada do que ele queria ser.

Tomás é mais jovem, extremamente bem-sucedido e com estabilidade financeira, trabalhando como Vice-presidente de uma grande transportadora. Além de viver naquela casa, ele tem uma família unida e que aparenta ser muito feliz, algo que contrasta com a frieza nos relacionamentos de Javier.

Espiando o seu computador, e motivado pela inveja, ele vai descobrindo os pontos fracos do desconhecido. Assim, rapidamente consegue estabelecer uma amizade com ele, fingindo que também é um alcoólatra em recuperação.


Já Tomás, que é ingênuo e quer ajudar, revela rapidamente as suas fraquezas e vulnerabilidades: trabalha com o sogro, o casamento já esteve em risco por causa do álcool, tem uma alergia mortal a amendoins.

Isso parece ser o necessário para que o stalker arruíne tudo. Quando conhece Lara, a sua esposa, o protagonista não esconde aquilo que está sentindo:

Admiro a sua força e invejo a sorte dele!

Assim, vai ficando evidente que Javier que roubar a vida de Tomás, ocupar o lugar dele, não só na casa como na sua família. Ele chama a isso o seu "projeto secreto" e revela que foi suficiente para retirá-lo do estado de letargia anterior.

Depois da apatia, ele vai se tornando cada vez mais perturbado e violento, algo metaforizado pela imagem de Javier sorrindo com a boca cheia de sangue.



Depois de elaborar vários planos para afastar Tomás de Lara e da filha, o criminoso vai ao seu emprego, provocar confusão de propósito.

Enquanto é agredido, ele ri pois sabe que está mais perto de derrubar o seu inimigo. Este ódio irracional vai aumentando com o decorrer da narrativa, causando medo e ansiedade no espectador.

Matar por dinheiro e poder: a ganância de Javier

Quando o jardineiro Damian tenta chantagear Javier, acaba libertando a sua fúria assassina: o protagonista consegue sabotar o seu equipamento e causar um "acidente" mortal.

Provando que está disposto a tudo para vencer, ele consegue causar uma recaída em Tomás e fazer com que Lara fique com medo do marido. De forma premeditada, compra latas de spray de pimenta e sabota uma delas, para provocar uma crise alérgica no rival.

Assim, Javier quase consegue matar Tomás sem sujar as próprias mãos, já que é Lara que despeja o líquido em cima dele. No entanto, percebendo que ele ainda está vivo, o protagonista consegue sufocá-lo.

No final do ato, declara que Tomás não as merecia; depois de matar o dono da casa, o stalker corre para abraçar a esposa e a filha do outro, como se fosse um herói ou salvador.



Não foi, no entanto, a carência que o conduziu ao crime. Momentos antes, podemos ver Javier abandonando a mulher e o próprio filho, sem qualquer explicação ou gesto de carinho. Eles parecem pertencer a uma vida que despreza e quer deixar para trás.

Pouco tempo depois, vemos Javier levando a criança na escola. Casado com Lara, parece ser um pai presente, e conseguiu um bom trabalho graças ao sogro.

Quando Marga descobre o assassinato e tenta conversar com ele, Javier ameaça deixar os dois sem casa e comida. Aí se torna ainda mais notório que ele não se importa com valores como amor ou família, apenas dinheiro, aparência e poder.


Por Carolina Marcello