Escrever sobre o que me
afeta me engaja, como dizem.
Não mudei muito desde que percebi que podia pensar
sem que fosse
mero reflexo de uma necessidade. Olho para mim como alguém de
fora
e penduro as minhas expectativas no varal.
E a sensação é de que, se você
as deixar lá fora por muito tempo,
elas murcharão com o sol. Faz bastante tempo
que me convenci de que a vida não tem pé nem cabeça, que religião é uma
tentação emocional resistível, porque não faz sentido. Mesmo em momentos muito
emocionais me dei conta de que havia outro eu, ausente.
Durante anos descobri
coisas sobre o ser humano,
experimentei prazeres vários, mas hoje nada vejo de
novo. Estou habituado a viver.
A ideia de extinção me assusta, talvez haja em
mim um resíduo de saltimbanco.
Estou em branco, à
caneta está em minha mão.
E o
final não está planejado.
Jordan Prestes















