quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O que não foi escrito






Escrever sobre o que me afeta me engaja, como dizem.
 Não mudei muito desde que percebi que podia pensar sem que fosse 
mero reflexo de uma necessidade. Olho para mim como alguém de fora 
e penduro as minhas expectativas no varal.

 E a sensação é de que, se você as deixar lá fora por muito tempo, 
elas murcharão com o sol. Faz bastante tempo que me convenci de que a vida não tem pé nem cabeça, que religião é uma tentação emocional resistível, porque não faz sentido. Mesmo em momentos muito emocionais me dei conta de que havia outro eu, ausente.

Durante anos descobri coisas sobre o ser humano,
 experimentei prazeres vários, mas hoje nada vejo de novo. Estou habituado a viver. 
A ideia de extinção me assusta, talvez haja em mim um resíduo de saltimbanco.

Estou em branco, à caneta está em minha mão.
E o final não está planejado.

Jordan Prestes 





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