Você me perguntava o porque das camisetas cortadas,
eu te respondia regatas.
Você me perguntava o porque do meu cabelo molhado,
efeito molhado, eu te respondia , prefiro cachos.
Você me perguntava o motivo de soar meu nariz
freneticamente nas manhãs úmidas, de domingo.
Não te respondia, pois sabia o gabarito.
Você me perguntava das postagens,
das marcações e dos lugares.
Talvez pudesse te responder sobre o nó que nos prende,
de nós e dos erros cometidos.
Você me perguntava porque escutava
Los Hermanos no volume máximo,
te respondia um ultimo romance.
Você me perguntava das gargalhadas
sem ensaios e o porque da toalha molhada
em cima da cama.
Te respondia com um olhar.
Você me perguntou porque não fui
ao encontro dos poemas,
das palavras, da inspiração, ultimamente.
Comentei com você sobre o sentimento abstrato
que o passar dos anos vai roubando
de cada um de nós,
das possibilidades de ser tudo e fazer tudo.
Te falei sobre ter a vida
inteira pela frente, e do mistério do porvir.
Talvez seja só o consolo de que estamos
envelhecendo juntos e,
por mais distintos que sejam
nossos caminhos eu sei quem você era,
e isso basta, mesmo que hoje nada
mais tenhamos em comum.
Eu sei quem você era e isso é suficiente.
Jordan Prestes
