Em 2008, interpretei, brilhantemente Pilar, em “Conto de Escola”, de Machado de Assis, que narra o primeiro contato de um menino com a corrupção e a delação. Tudo começa quando Raimundo, o angustiado corruptor, filho do mestre, oferece uma moeda a Pilar, seu colega de classe, em troca de umas lições de sintaxe. Curvelo, o delator, os denuncia ao professor e ambos, Raimundo e Pilar, são violentamente castigados com doze bolos de palmatória cada.
Ninguém toca no livro mais bem escrito de Machado, o mais bem escrito em português, que é Memorial de Aires.
Acho que Susan Sontag prefere Memórias póstumas de Brás Cubas porque é uma disquisição modelar de um homem, enquanto, pela atração dos opostos, prefiro Dom Casmurro. Capitu é tão indelével como madame Bovary.
Não há um escritor dos EUA que tenha atingido a grandeza de Machado nas suas últimas obras. Poderia abrir-se aqui uma polêmica em favor de Henry James, mas eu acho superestimado e intraduzível, não faz sucesso em língua alguma exceto inglês, ao passo que Machado fica bem em qualquer língua .
Para encontrarmos rivais e superiores a Machado temos de ler os russos, alguns franceses e ingleses e claro, Proust.
Jordan Prestes




