domingo, 4 de março de 2018

Perguntas tolas para um poeta sem respostas


Você me perguntava o porque das camisetas cortadas, 
eu te respondia regatas. 
Você me perguntava o porque do meu cabelo molhado,
 efeito molhado, eu te respondia , prefiro cachos.

Você me perguntava o motivo de soar meu nariz
 freneticamente nas manhãs úmidas, de domingo.
 Não te respondia, pois sabia o gabarito.

Você me perguntava das postagens, 
das marcações e dos lugares.
 Talvez pudesse te responder sobre o nó que nos prende, 
de nós e dos erros cometidos.

Você me perguntava porque escutava
 Los Hermanos no volume máximo,
 te respondia um ultimo romance.

Você me perguntava das gargalhadas
 sem ensaios e o porque da toalha molhada
 em cima da cama. 

Te respondia com um olhar.

Você me perguntou porque não fui 
ao encontro dos poemas,
 das palavras, da inspiração, ultimamente.

 Comentei com você sobre  o sentimento abstrato 
que o passar dos anos vai roubando 
de cada um de nós, 
das possibilidades de ser tudo e fazer tudo.

 Te falei sobre ter a vida
 inteira pela frente, e do  mistério do porvir.

Talvez seja só o consolo de que estamos
 envelhecendo juntos e,
 por mais distintos que sejam
 nossos caminhos eu sei quem você era,
 e isso basta, mesmo que hoje nada 
mais tenhamos em comum. 

Eu sei quem você era e isso é suficiente. 

Jordan Prestes 




Nenhum comentário:

Postar um comentário