Eu presenciei as folhas caindo. Há beleza maior do que folhas amareladas e secas decaindo e enfeitando o caminho por onde seus pés irão pisar a milésimos de segundos à frente? Emociono-me ao sentar em um banco da praça próximo ao horário do pôr do sol, com o céu alaranjado, sob um calor ameno. Com tudo ao redor em tom amarelado causado pela tonalidade do imenso céu. Enterneço-me ao ver as folhas despencando lentamente, sendo carregadas pela brisa e finalmente caindo ao chão. Chão de terra ou cimento, o vento não permite as folhas caírem apenas em um lugar, obriga-as a ficarem espalhadas.
Algo comoveu-me ainda mais, tanto que me fez sentir levemente uma dor fina no peito, ver visto um menino, um menino baixinho, com as perninhas curtas, cabelos claros como a luz do dia e assanhados, parecia até que lá tivera passado um redemoinho, pisando por todas as folhas que via pela frente. A angústia tomou-me por inteira. Por que aquele garoto pisava e massacrava todos aqueles pobres e pequeninos cadáveres? Chamei-o e perguntei o por quê dele estar espragatando o que fora tão belo outrora. Recebi como resposta somente um “porque sim, é bom..” e em pouquíssimo tempo lá estava ele de volta pisando-as novamente. Observei-o até ele ir embora. Quando deu minha hora de também ir para casa decidi provar o prazer que ele afirmou ter sentido, olhei para o solo, vi um montinho de folhas ressecadas, senti pena. Porém, a enorme curiosidade me fez pisar. Ouvi um barulhinho… “Creck”! Nesse momento pude entender o pequeno garoto, aquilo realmente era bom, era prazeroso. Imitei aquele menininho. Ao voltar para meu apartamento, pisava, amassava, pulava em cima, espragatava e massacrava todas as folhas que embelezavam meu campo de visão. Tudo isso com um pensamento: Por que é tão bom pisar nas folhas derrubadas pelo outono e ouvir aquela melodia?
Por Alice Rodrigues

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