Na floresta, todos os animais temiam a cobra.
Quando ela passava, os bichos se esquivavam para não aborrecê-la.
Um certo dia apareceu por aquelas bandas, um vaga-lume que, alegremente, fazia a festa na floresta, com seu brilho. Os animais faziam questão de prestigiar as aparições noturnas do vaga-lume, pois, enquanto olhavam para ele, esqueciam as preocupações de sobrevivência do dia seguinte. Só a cobra não estava gostando daquilo.
Cada dia que passava, ela ficava mais irritada com o sucesso que o vaga-lume fazia entre os bichos e, por isso, resolveu que iria comê-lo.
Arquitetou vários planos para pegar o vaga-lume e nada dava certo.
O vaga-lume por sua vez, não entendia porque a cobra vivia querendo devorá-lo, pois, pequeno do jeito que era, nem ao menos servia como aperitivo.
Mas, num fatídico dia, o vaga-lume fica frente a frente com a cobra, sem condições de escapar. Desesperado, antes de morrer, resolve indagá-la: "-Dona cobra, eu não lhe fiz mal algum. Não sirvo para alimento, pois sou bastante pequeno. Por que a senhora quer me comer?"
A cobra olha fixamente para o vaga-lume e diz:
"-É que eu odeio ver você brilhar!".
Fonte: Histórias e Fábulas -
Albigenor e Rose Militão

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