Países com leis flexíveis em relação ao aborto têm melhores índices sociais e econômicos, enquanto que o Brasil, neste assunto, segue alinhado com nações como o Haiti, o Afeganistão, o Quênia e a Somália – e a julgar pela bancada que nos governa, continuará rebaixado. É hora de debater o tema sem tanto sentimentalismo.
Vou direto às questões recorrentes:
Vou direto às questões recorrentes:
Pergunta: Como tens coragem de defender o assassinato de uma criança?
Resposta: Não é uma criança e não é assassinato: trata-se de interromper a formação de um embrião, bem no início da gestação, a fim de respeitar os motivos de quem chegou antes, a gestante. Quem usa palavras apelativas ajuda a manter o país entre os mais atrasados do mundo.
Resposta: Não é uma criança e não é assassinato: trata-se de interromper a formação de um embrião, bem no início da gestação, a fim de respeitar os motivos de quem chegou antes, a gestante. Quem usa palavras apelativas ajuda a manter o país entre os mais atrasados do mundo.
P: Quem é contra a legalização do aborto está protegendo os direitos humanos.
R: Não está. A criminalização serve apenas para punir as mulheres. Nenhuma delas levará adiante uma gestação indesejada só porque o governo, que não a conhece, quer que ela tenha um filho. Ela abortará de qualquer jeito, como provam as estatísticas. Se tiver dinheiro, o fará em boas condições. Se for pobre, poderá adoecer, ficar infértil ou mesmo vir a óbito.
R: Não está. A criminalização serve apenas para punir as mulheres. Nenhuma delas levará adiante uma gestação indesejada só porque o governo, que não a conhece, quer que ela tenha um filho. Ela abortará de qualquer jeito, como provam as estatísticas. Se tiver dinheiro, o fará em boas condições. Se for pobre, poderá adoecer, ficar infértil ou mesmo vir a óbito.
P: Quem engravida de forma involuntária é ignorante ou irresponsável, precisa do controle do Estado.
R: Gravidez é fruto do desejo e do sexo. Duas coisas que não primam pela racionalidade. Mulheres inteligentes e bem informadas também ficam grávidas sem querer. O paternalismo não procede.
R: Gravidez é fruto do desejo e do sexo. Duas coisas que não primam pela racionalidade. Mulheres inteligentes e bem informadas também ficam grávidas sem querer. O paternalismo não procede.
P: Em vez de abortar, por que a mulher não doa o recém-nascido para adoção?
R: Seria perfeito, num mundo ideal. Admiro as que conseguem. Só que a mulher que interrompe a gestação está, na verdade, rejeitando a criação de um vínculo. Se levar a gestação até o fim, o vínculo acontecerá, não importa a decisão que ela tomar depois. É um assunto profundo e difícil, pois transcende a lógica. O que se está interrompendo é a formação de um amor. Duro? Duríssimo, mas a vida não é um conto de fadas.
R: Seria perfeito, num mundo ideal. Admiro as que conseguem. Só que a mulher que interrompe a gestação está, na verdade, rejeitando a criação de um vínculo. Se levar a gestação até o fim, o vínculo acontecerá, não importa a decisão que ela tomar depois. É um assunto profundo e difícil, pois transcende a lógica. O que se está interrompendo é a formação de um amor. Duro? Duríssimo, mas a vida não é um conto de fadas.
P: O que você acharia se sua mãe tivesse abortado você?
R: O mundo não perderia nada. Ninguém dá falta do que nunca existiu.
R: O mundo não perderia nada. Ninguém dá falta do que nunca existiu.
São as perguntas que me fazem quando toco neste assunto e estão respondidas. Avancemos. Senhores deputados, concentrem-se nos milhões que já nasceram e que precisam de políticas de inclusão. Não desperdicem energia com o que não vai mudar: mulheres abortarão sempre que julgarem necessário. Nem lei, nem opinião pública, nem religião, nada fará com que uma mulher ceda a estranhos o direito que ela tem sobre o próprio corpo e o próprio destino. Abortar é uma violência, nenhuma mulher deseja isso, mas cabe só a ela e a seu parceiro decidirem. A intromissão alheia serve apenas para forçá-la a passar pelo procedimento de uma forma brutal e humilhante. Não as penitenciem ainda mais.
Por
Martha Medeiros

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