Criada por Carlton Cuse (Lost, Bates Motel) e Meredith Averill (The Haunting of Hill House), Locke e Key conta a história de três irmãos que se mudam para uma casa antiga, após o assassinato de seu pai. Na casa, eles acabam descobrindo uma série de chaves místicas que concedem ao seu usuário uma habilidade diferente, dependendo para que serve essa chave. Algumas são bem legais, como poder voar, se teletransportar de um lugar para outro, invadir memórias do passado enquanto outros são muito mais sinistros.
Produção
Locke & Key é uma série de terror sobrenatural original da Netflix, baseada nas histórias em quadrinhos de mesmo nome do autor Joe Hill. Antes da Netflix, o futuro de Locke & Key ficou em dúvida depois que a série foi cancelada pela FOX em 2011, antes mesmo de estrear.
Depois de ter sido descartada pela canal, a franquia foi escolhida pela Universal para uma trilogia de filmes. No entanto, o projeto também falhou. Entretanto, em 2016, a IDW Entertainment relatou que estava desenvolvendo uma série de TV. Inicialmente o Hulu havia ordenado a produção de um piloto, mas depois recusou a série. Foi então que a Netflix escolheu o título e, logo, ordenou uma temporada completa – o piloto feito pelo Hulu acabou sendo descartando.
Produção
Escrita por Charles Forsman. fica evidente o quanto a mão de seu roteirista principal, Jonathan Entwistle pesa no projeto. Responsável por outro título da plataforma (The End of the F****ing World), Jonathan deixa impressa na nova série uma estrutura direta, às vezes fria e que privilegia o que a juventude interiorana dos EUA tem de mais melancólico e desajustado. I’m Not Okay With This não é uma série “fofinha”, mas também não é um exemplo cabal de ousadia e transgressão.
O mais seguro seria dizer que é uma série confortável. Seus 7 episódios de apenas 20 minutos compilam um horizonte pequeno de acontecimentos e deixam a produção com uma cara de que ainda haveria mais a dizer. Esse pode ser um ponto favorável, no fim das contas. A série foi produzida com referências muito claras do universo do High School cinematográfico e seriado. Portanto, as possibilidades que vislumbra são muitas. Mesmo assim, os produtores pisaram no freio e foram privilegiando a construção de sua protagonista do ponto de vista humano, mais que do ponto de vista sobrenatural.
Sim, porque há um elemento sobrenatural em torno da narrativa. A primeira grande referência que vaza da série é sua ligação com Carrie, de Stephen King. No livro, Carrie é uma menina sufocada por questões religiosas e familiares muito intensas; e depois de menstruar pela primeira vez começa a perceber seu poder de telecinese. No cinema, a história de King ganhou seu lugar de ícone cultural ao espalhar para o mundo a imagem da menina em seu vestido de baile, coberta de sangue de porco, depois de massacrar os colegas ao ser humilhada. É exatamente essa imagem que I’m Not Okay With This acessa do começo ao fim da temporada.
A trama
A jovem Sydney Novak (Sophia Lillis, de It: A Coisa) é descrita como a clássica desajustada adolescente do cinema e da televisão atuais. Ela é pobre, vive em conflito com a mãe, o pai se matou, ela se acha esquisita e ainda por cima sua melhor amiga Dina (Sofia Bryant) arrumou um namorado valentão e a esqueceu. Discretamente, Syd vai percebendo que ao passo em que sua vida vai fugindo do controle, acontecimentos estranhos a perseguem, como coisas se movendo sozinhas. A premissa de Carrie está ali incutida nas bases narrativas, mas Syd tem sua própria vibe e não é uma menina acuada e despreparada para o mundo.
Enquanto os poderes da garota vão sendo desenvolvidos muito lentamente, o roteiro vai estreitando a relação dela com seu amigo Stan (Wyatt Oleff, também de It). A dupla configura um dos atrativos para o público da Netflix, sempre procurando pelo próximo Stranger Things para cultuar. Lillis e Oleff não estiveram em Stranger Things, mas a franquia It veio numa esteira tão parecida que as coisas hoje em dia são facilmente confundidas. De todo modo, tanto em o seriado quanto em It, a literatura de Stephen King ecoa de uma maneira muito forte, o que se repete em I’m Not Okay With This.
Tudo acontece rápido, mas a temporada ainda arranja tempo de desenvolver seus adolescentes sob outras referências, como no bom e velho truque narrativo da detenção, tornado famoso pelo filme O Clube dos Cinco. Ainda que seja tudo muito direto, sem nenhuma intenção de disfarce, Jonathan Entwistle transmite mais da ideia de homenagem do que de cópia oportunista. Quando as coisas começam a parecer muito semelhantes, algo surge para lembrar que a série tem objetivos originais. Isso se vê em pequenos detalhes, como na sexualidade de Syd, na postura de Dina ou nos eventos do último episódio, que elevam a homenagem ao máximo, mas sem perder de vista um certo humor ao fazê-lo. Syd chega ao mesmo ponto em que Carrie, mas ela pode ter a ajuda que a menina de Stephen King não teve.
Contudo, é preciso ressaltar que está em Syd a força e a relevância da produção. É deleitante saber que jovens do mundo todo poderão acompanhar uma heroína como ela nascer.


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