quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Noite que me escreve e descostura a solidão





Noite de quartas formadas por sete letras.
Noite que pensa, se torna clara, se colori de azul turvo.
Noite fria, sem nenhuma estrela, quente aquece as lembranças.
Noites que escrevem o asfalto, que de papel se tornam folhas em árvores mármores.

Noite que lembro e esqueço, noite que roubou o simples beijo da boca.
Noite clara de escura, transparente como os copos de vidro, marcados com suas digitais.
Noite depois de antes, onde amantes, traem a melodia constante.
Noite longe de perto, distância que caiu em braços abertos.

Noite em passos que não chegam, contados se aprochegam.
Noite acordada, sonhada, bordada, por palavras contadas.
Noite feliz de triste, que caiu e levantou em tombos de brinquedo.
Noite regada, pelo sereno, pelo cinza, pelo esquecimento, lamento.

Noite de mim, de você, dele e dela, singela de vento e sopros.
Noite de quartas, lembradas, esquecidas, reinventadas, por nós.
Noite, dia, manhã e tarde, vivo palavras, estou preso em poesia.
Noite que me faz vida, instante, momento, que me escreve e descostura a solidão.

Jordan Prestes


Nenhum comentário:

Postar um comentário