E restaram a sobra, a
rapa de uma harpa cantante.
E restaram as luzes, a
sombra de uma noite clara, sem sentido.
E restaram os velhos
novos, os enrugados de coração.
E restaram o que
quadrupliquei por substantivos, de uma árvore de aço.
E restaram os mendigos
ricos, os milionários pobres, a aparência escrita.
E restaram as
metamorfoses, as lagartas coloridas de criança.
E restaram o que se
completava, a chuva que de pingos trazia o sol.
E restaram os monstros
altruístas e as fadas egoístas.
E restaram as poesias,
as palavras pregadas em madeiras de plástico.
E restaram os vazios
que são maiores e infinitos, o resto é distância.
E restaram as palavras
que tanto amo, que me fixam no papel que rabisco.
Jordan Prestes

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