Me escrevo louco, é
que as vezes desenho a lua em tardes cheias de escuro.
Me escrevo certo, é
que as vezes rabisco o sol em noites vazias de claro.
Me escrevo em partes,
mas não sei em qual delas.
Me escrevo, não
escrevo, escrevo o silêncio orquestrado na ponta de um lápis que
subia.
Me escrevo, e descrevo
aquele coração cor de mel.
Me escrevo no céu,
adoro escrever céu, declamar pincel,
enfiar as letras em
bordel, construídos de papel.
Me escrevo muito,
também pouco, mas sempre me escrevo.
Me escrevo em quem amo,
em quem chamo de amo.
Me escrevo na vida, que
é comprida, e curta demais.
Me escrevo na melodia
das palavras amadeiradas.
Me escrevo nessa
existência poética, na certeza da ilusão,
que me enriquece em
toda e qualquer estação … ( ! )
Jordan Prestes

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