Só hoje consegui matar
o que dentro de mim se criou, ficou claro, exposto, à amostra. Dei
um tiro no que me coroia por dentro, do que me fazia sangrar em
lágrimas, ignorei conselhos sábios, fui até o fundo do fundo, mais
fundo que já poderia chegar. Não dei um basta, o amor nos rasga os
olhos, não enxerguei, não queria enxergar, nunca queremos. Me
viciei naquele cheiro de pólvora, no breu da leveza do vento, me
perdia descalços em cachoeiras, trilhas onde me sentia livre,leve,
mas não tão solto. Arrastei um amor a séculos, anos, meses,
dias,horas, minutos e segundos. Já passei por apaixonado,por louco.
Vivia por aquilo,deixei de fazer o que hoje quero fazer mais, o
dobro, o triplo. Se eu fosse ligar para todos os defeitos, todos,
todos mesmo,talvez não seria um criminoso por matar um sentimento
fajuto, adulterado, verdadeiro para mim. Quando nos olhamos no
espelho, não percebemos o que em nós existe, o tamanho da força da
nossa beleza, de nossas qualidades. Sou jovem. Somos adolescentes,
crianças de coração. Não deixe que o podre seja invisível ao
seus olhos, saiba separá-lo, distingui-lo, notá-lo. As pessoas
querem um corpo, o seu corpo. Um rosto, o seu rosto, elas querem o
embrulho, ou não. Fechei, matei, recomecei, nada vale um amor que
nunca foi amor.
Jordan Prestes ( Prestes a nada )
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