Exerço uma catarse,
escrevo fácil, em um momentâneo difícil. Alicerce mal projetado,
repouso na infinita incerteza. Em ocasiões dignas, sou uma comédia
da vida privada, sou preso, em meu próprio corpo. Falo coisas que eu
não quero, faço coisas que eu quero. Como é simples e complicado
viver. As coisas
que me dão prazer, na infinita maioria das vezes, são sutis e
impalpáveis. Pessoas e fatos são tão incertos, as vezes sou um
reflexo borrado e distorcido. Lembro, reflito, pontuo, interrogo,
compactuo, somo e divido inúmeras vezes. Estou perto sem estar,
possuo pensamentos corriqueiros. Entre frases desfeitas e desacatos à
Maior das Leis, renasce um Eu sempre tão necessitado de Ti. Entre um
olhar de relance e aquele que permanece, o coração seleciona
minuciosamente o que quer enxergar. Entre a pressa do lado de lá e
o mecanismo das horas, lembro de respirar e viver o meu próprio
tempo.
Jordan Prestes

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