terça-feira, 18 de setembro de 2012

Coisas que não escrevem minha alma



Me debruço em gotículas de água.
É como se eu conseguisse tocar o ar que respiro.
Tropeço em chamadas perdidas, em conversas que não podem ser ouvidas, escondidas.
Infausto o café esfria, a cortina balança, escrevo, esqueço de tudo.

Espalhados pelo chão, carinhos são irredutível
meus olhos procuram os seus, minha boca também.
É esse gosto inodoro que molha minha linguá
e deixa um gostinho de quero mais.

O azul do céu túrbido, que me faz sorrir, abrir, e partir.
Em meu interior, pouco a pouco, assim como um conta-gotas
me dissolvo, me resolvo, me faço jovem, e vivo a felicidade de cada dia.

Viro muitas páginas, troco muitos livros, me entrego fácil,
difícil é me apegar a coisas que não escrevem minha alma.


Jordan Prestes

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