Aquele tango nos
envolvia, era uma sintonia isento de palavras,
simplório. Nossos
corpos escreviam o desejo de ambos,
cada passo, cada giro,
cada movimento, nossos olhos gritavam
por aquele desejo
insaciável.
Meu suor declamava a
estrutura de um corpo perfeito,
sem jeito, as paredes
nos observavam, nos filmavam em relances
que nos juntavam. A
razão me forçava ao proibido.
Estava preso naquele
olhar esmeralda.
Não sentia o chão,
não via o tempo, esqueci as horas,
meu coração pulsava,
pulava dentro de mim.
Voava em delírios,
inodoro, o perfume me viciava.
Era um tango amarelo,
que fazia do belo,
um momento qualquer.
Foi naquela pequena fração de segundos,
que esqueci minha boca
no seu corpo, as verdades que desmentem,
um casual descontente.
Jordan Prestes

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