Em cada esquina úmida,
uma lágrima jorrava, sem vergonha, subia em ônibus e declamava.
Papel na mão, sorriso na manga, medo guardado, estampado, maquiado
por tintas poéticas verniz. Em cada parada, um sorriso arrancado, em
cada olhar, uma alma de criança. Sem destino algum, as palavras
saiam do papel, se espalhavam, andavam, tocavam cada ser. Em mim
cultuo um artesão, que escreve para quem senti com os olhos, e
entende se quiser com o coração. Voo longe com uma caneta na mão,
respiro cada palavra aguçada, rabisco, apago, me entrego, me
apaixono pela poesia que me fascina, me domina, me deixa à toa e
enaltece meu espirito.
Jordan Prestes

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