Me desconecto, saio de
mim. Sobre a garoa fina, grossa, finda, minhas palavras se
confundem, os pássaros se cruzam, se perdem, se afastam de bandos
inexistentes. As ondas se aproximam, chegam, penetram, nos envolvem,
nos banham, vem e voltam. Partem em busca de outras maresias. Iludem, assim como as pessoas. O sol não se acordou, resolveu ficar em baixo
das cobertas, emburrado nem deu as caras, o nublado sorriu, sucumbiu
em braços de poetas pobres, ricos de palavras. Prefiro ser frio como
a areia que congela meus pés. Prefiro o silêncio das ondas do que o
barulho inoportuno da multidão. Também gosto das nuvens fechadas
que nunca ficam. Gosto de ser anti-social, apenas por um dia. Quero
ficar preso em minhas palavras, pescar sonhos, realizar mares. Cansei
de meras reticencias, em minha vida quero exclamações, sem pontos
finais, sem virgulas. Quero o alfabeto, o seno e o cosseno do meu eu.
Jordan Prestes

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