terça-feira, 11 de setembro de 2012

Persona





Me desconecto, saio de mim. Sobre a garoa fina, grossa, finda, minhas palavras se confundem, os pássaros se cruzam, se perdem, se afastam de bandos inexistentes. As ondas se aproximam, chegam, penetram, nos envolvem, nos banham, vem e voltam. Partem em busca de outras maresias. Iludem, assim como as pessoas. O sol não se acordou, resolveu ficar em baixo das cobertas, emburrado nem deu as caras, o nublado sorriu, sucumbiu em braços de poetas pobres, ricos de palavras. Prefiro ser frio como a areia que congela meus pés. Prefiro o silêncio das ondas do que o barulho inoportuno da multidão. Também gosto das nuvens fechadas que nunca ficam. Gosto de ser anti-social, apenas por um dia. Quero ficar preso em minhas palavras, pescar sonhos, realizar mares. Cansei de meras reticencias, em minha vida quero exclamações, sem pontos finais, sem virgulas. Quero o alfabeto, o seno e o cosseno do meu eu.


Jordan Prestes

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